segunda-feira, 8 de junho de 2026

O anjo libertador


Clima de extrema repressão dominava a Palestina após o sacrifício de Jesus. O capítulo 12, de Atos dos Apóstolos, bem retrata, num episódio marcante da vida de São Pedro, essa época encarniçada, quando os primeiros cristãos padeceram sob as garras cruéis de Herodes, filho do outro rei de igual nome que perseguira o Mestre nos primeiros tempos de sua presença na Terra.

Após haver morto Tiago, irmão de João, Herodes se voltava contra Pedro, mantendo-o no cárcere para quando viesse a Páscoa então apresentá-lo ao povo, desse modo pretendendo conquistar-lhe a confiança.

Grupos de quatro soldados se revezava na guarda ao apóstolo mantido a ferros em cárcere de estrita vigilância. Enquanto isso, na igreja, sob o império do medo, os seguidores de Jesus se mantinham em prece, pedindo a Deus pelo preso.

Na noite de sua apresentação à turba, como previsto pelo monarca, acorrentado, no meio de dois dos soldados que lhe montavam guarda, dormia Pedro. À porta, as outras duas sentinelas reforçavam a prisão.

No meio de intensa luminosidade, adentrou o recinto escurecido da cela um anjo, emissário da glória divina, e, silencioso, aproximou-se de Pedro a tocar-lhe o corpo, e disse:

- Ergue-te! Vamos embora! Recompõe as vestes, que agora sairemos deste lugar.

Surpreso, livre das cadeias que caíram das suas mãos, o apóstolo aprestou-se com providências imediatas, o quanto antes, tratando de obedecer ao inesperado e sublime visitante.

A propósito o episódio, lido na Bíblia, registra: Pedro, saindo, o seguia, mesmo sem compreender que era real o que se fazia por intermédio de um anjo, julgando que era uma visão.

Juntos, passaram pelas duas sentinelas que guarneciam a porta da masmorra, aberta de sem esforço, qual em passe mágico, sem precisar de ninguém nela tocar.

Saíram para logo se verem a andar do lado de fora, na luz fosca das ruas desertas da cidade.

Ainda sob o impacto da ocorrência inusitada, Pedro apenas se deu conta de ver o anjo a deixá-lo e seguir noutra direção.

Assustando em face de tamanho prodígio, falando de si para consigo, constatou a providencial circunstância de sair ileso das malhas do perverso soberano, graças ao poder inigualável do Senhor, livre de propósitos inconfessáveis e destruidores.

Algum instante mais além, parou na sombra das casas e considerou os meios de que dispunha para fugir. Lembrou, então, da casa de Maria, onde os irmãos de fé tantas vezes congregavam nos primeiros tempos, ali guiando seus passos. Ao chegar e bater no portão do pátio, causou espanto inavaliável, pois.  

Conta o texto bíblico que, aos primeiros raios do amanhecer, pânico descomunal estabeleceu-se entre os soldados, tomados de pânico, temerosos das reações que o desaparecimento do prisioneiro ocasionaria. Interpelados e não justificando a ocorrência extraordinária, viram-se de imediato executados sem a mínima piedade.

Os adoradores do Sol


A que se estar aqui? E andar, e conhecer, a meio de tantos outros gestos? Longas jornadas bem que falam disso e deixam margem a outras e mais extensas planícies de consciência. As falas, conquanto inextinguível, preenchem instantes sucessivos, sendo o isto a razão continuar. Houvesse motivos e consequências, logo além vêm indagações posteriores, sons distantes das falas e dos objetos...

E mesmos diante de tais circunstâncias, uma vontade maior há de sempre prevalecer. Narrativas ainda sem grandes definições. Nisto as pessoas se batem à cata de tantos sonhos, abandonando passados insistentes, viagens transcendentais, tudo cercado das lonjuras de estar aqui, Palavras trazem surpresas, definições, arquivos guardados nas erar e, lá depois, pequeninos sinais daquilo de anter e jamais. A supor compreender, pois, novas dimensões vêm à tona, esquadrinhando as suposições posteriores.

Assim, neste fluir de pensamentos e sentimentos, escorregam ao leito do abismo, forcejando verdades eternas contidas. Eles, esses quais seres, alimentam de sonhos noites e dias, horas a fio. Querem ser ao seu modo, no entanto cercados das contrições advindas nos formatos mais diversos. Numa materialidade corrente, daí a beleza em volta, nas árvores, na luz, nos momentos, no som, nas histórias, sequência natural que seja, cada termo tem cor e forma. De certeza, são infinitos os limites da realidade em volta. Mares incontáveis a isto significam por meio das individualidades. Transcrevem quantos instantes em igual diapasão.

Bem a existência e as criaturas, fagulhas espalhadas ao vento nos trilhos da felicidade. Aqueles dias, aqueles sóis na jornada do Tempo de um a um. Submersos na superfície do Chão, avaliam o inesperado qual fator de sobrevivência, outrossim. Todos, tudo, tanto, a par dos acontecimentos. Refazem em si o senso da posteridade a adormecem de contentes.

sábado, 6 de junho de 2026

Um resumo de si


Bem isto de contemplar a natureza em volta. Caminhar através dos corredores do labirinto de aonde chegar e ver constantemente os moldes e as cores de novos cenários. Ali tantos credos, quantos pensamentos guardados e as paisagens do que antes foi. Situar o trilho dos próprios pés nesse chão de indagações, de respostas vagas. Vez por outra, identificações com novas palavras, seguimentos variados a percorrer a pé. Distintas visões de possíveis encontros consigo e com os demais. Nisto, as histórias a lhes percorrer as entranhas. Tradições, narrativas e enredos, num jogo de substituição e de dúvidas a perder de vista. Às vezes cenas lá da infância mais distantes. Depois recentes traçados de acontecimentos ali deixados aos pés, no fustigar de lembranças talvez agradáveis.

Nesse percorrer das atitudes, quase tão só certezas vividas e em fase de processamento eletrônico na alma das criaturas. Filmes sem conta destarte invadem a memória e revelam lembranças inevitáveis, luzes a piscar nas consciências. Trâmites de céus imensos qual o quê transitam pelos séculos das criaturas num formato portanto benfazejos. Dali revivem trastes arcaicos derivados em tantas salas de aula, a solicitar interpretações. Vistos assaz tais instantes, é-se atores das lendas trazidas do espaço. E em consequência precisam decodificar aqueles sentimentos postos à prova. Com isso, tocam as barras das paredes e estudam o modo ideal de sair desse princípio aberto e tocar o firmamento.

Numa espécie de cápsula a vagar pelos hostes do Tempo, a uma só direção continua. Quer-se acreditar existir entre objetos e pessoas, no entanto a carecer de ciência do que sejam realmente. Agora, nesses mundos digitais, tudo revolve no íntimo de pessoas e lugares, no afã de conhecer donde vêm e a que mundo chegar. Notas soltas, pois, do Universo, insistem certa feita de achar o pomo da iluminação e veem com clareza outros ao lado no mesmo segmento.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Estradas do coração


Esse o mistério das palavras, de querer dizer aquilo lá longe que vive solto nas lembranças. São vozes incontidas a sussurrar junto do vento e resumir tudo desse passado que ora somos. Tal assim, sinais, pequenas ocasiões nascidas dos momentos. De certeza, formam as pessoas. Arrastam as multidões, caravanas da sorte pelos mares bravios. Busca incessante, abrem portas ao mistério de encontrar a si mesmo pelos corredores da alma. Estertores silenciosos, viajam no Tempo quais fragmentos de vontade. Nisto esse percorrer sem fim, detalhes das horas em formado de espetáculos eternos.

De comum, me vejo noutras histórias. Relembro situações maiores do que o desejo de apenas lembrar. Trazem consigo vestígios dessas variáveis soltas nos brejos da consciência. Uma infinidade na forma de revivescências a bem dizer esquecidas dalguns momentos, no entanto acesas, brasas ativas de mim a clarear noites e dias, festa inigualável de ser. Perduram. Dali insistem as sensações desses rebentos em formados até então desconhecidos, mas persistentes. Vorazes criaturas perenes, estabelecem definições presentes em tudo. Nalgumas oportunidades, peças teatrais, diálogos consigo e com os demais, filmes, contos, romances, canções, lugares recônditos de inúmeras tradições das outras pessoas. Viventes, contudo, do ente que ora somos, lampejos de tempos outros preservados nalguma prática lá interna a mexer dentro da gente. Bem isto, a natureza humana e sua faina incessante de tocar adiante o barco dos sentimentos. Fossem advir a quantos seguimos nesse painel contínuo, ver-nos-íamos face a face com a real sobrevivência da própria espécie.

Conquanto, pois sustentar as bases e os segmentos, há percurso inevitável de conter na essência o crivo do quanto existe nos conceitos e nas luas. Nessa hora, resta conter na gente o dever de aceitar e escolher a emoção que sempre haverá de haver. Isto, luzes da individualidade no sentido de todas elas.

(Ilustração: Centro de Artesanato Mestre Noza, Juazeiro do Norte CE).

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Código secreto


Circunscrito, pois, a detalhes a bem dizer impossíveis, dali nasce o emaranhado disso tudo aqui em volta. Talvez tão ínfimo a parecer, lá de longe, miragem, deslumbramento. Porém há de se rever os conceitos e trazer de volta aquilo de tantos a falar de espiritualidade. Isso quando em volta persistem as ideias doutra dimensão além desta. De imediato, o que virá depois do veio antes neste plano. Muitos do místico dizem de céus a trazer felicidade, dalgo modo a qualquer tempo e a todos, no entanto. O favo das religiões e seus segredos, quando, à medida de sortes transcendentais revelam mistérios profundos da alma. Nas tantas civilizações ai está, livros reveladores, conteúdos exóticos referenciados nos outros momentos, à sequência de sucessivas transformações que haverá de acontecer.

Nessas horas, ao peso das visões e dos povos, chegar-se-á nisso, ao furor das necessidades humanas. Porquanto estar neste chão tão jsó em contemplar os infinitos deixar margem a profundas interrogações, dentre elas a vida que vem depois desta. Agora já muito se falou dessas planícies ilimitadas da mente, num acordar constante de verdades imperecíveis. Transpostas as inúmeras necessidades, desponta inigualável o princípio da Reencarnação, a sobrevivência depois daqui, isto de novos dias, quais mares profundos de uma outra vida.

Prudentes, sagazes, inteligentes, seguem as caravanas rumo a esse sequenciar de intenções. Transpostas as aventuras terrestres, abrem-se percepções incontáveis, ao sabor das consciências em evolução. E mesmo daqui, diante da cultura, da arte, da mística... Transeuntes dos destinos, seres distinguem condições de achar o véu doutras lembranças e alimentar a perspectiva de reais compreensões a esse nível. Sem exceção, um a um definem seus próprios sentimentos a propósito e identificam meios de sobreviver a uma fatalidade inexistente. Haja tempo e lista incontável de visões espiritualistas perfaz o senso do absoluto que carregam em si desde então.

O ritmo das falas


O espírito da busca é o que nos liberta.
Kabir

Até chegar aqui milênios escoaram pelos céus. De tudo quanto possível fosse, viagem sem conta desfizeram expectativas. A mais que pudessem, resultou nisso com que se deparam. Castelos de reino encantados, vales profundos de sombra, esperas feitas de mergulhos por vezes insanos. Bem isto, lembrança e relembranças. Espécie de sina dadivosa, Códigos nasceram e permanecem ocultos das grandes multidões. Há, qual o quê, longas noites de mistério a cercar vivências, estas formadoras doutras histórias. Cadentes setores da consciência coletiva nisto permanecem tal e qual nas origens de quando, na distância dos infinitos.

Nesse percorrer através dos silêncios vêm os nomes. Logo adiante, resquícios daquilo que se foi atônito de inesperados. Bem ali o Tempo e sua cadência. Na sequência, chegam as músicas, detalhes de tantos o sabor dos sentimentos. Transes a fio enquanto isto. São seres os que descrevem os argumentos, transitam nos córregos da inexistência e aceitam de bom grado que assim seja. Aos olhos disso, as folhas, as flores, o vento; surpresas ocasionam esse lenitivo das verdades e preenchem o solo dos dias.

Dalguns detalhes, chegam as narrativas. As recordações de quantas cenas revistas, desmanchadas em sinais gráficos, sonos, virtuais. E nisto o conhecimento. Horas aquelas deixaram, pois, aspectos de outras épocas a que o espírito ascendeu e só então presencia o valor do que existe pelos rincões e movimentos. Trazer em si aquelas relíquias retidas no âmago a querer falar a todo custo. Destarte pedem palavras e silêncios, adiante também inscritos na distância.

Perante a estrada dos firmamentos, estirão de todas as verdades e suor de intensas jornadas rios a fora. Saber deste tudo e permanecer fiel ao fluir das chamas. Ao que consta, sustentar perene o sol das criaturas.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Várias versões de si espalhadas pelo mundo


Muitas, por demais, nuvens e nuvens sucessivas no momento do quanto existe. Horas de inesperado, outras considerações revistas e ampliadas, ao supor da criação. Sapientes seres sobrevivem a quase tudo, porém desfeitos em fiapos de largas tendas. Doutras vezes, apenas meras definições das alturas em espasmos e dúvidas. Eles, os tais instrumentos dos destinos, padecem, contudo, dessa síndrome das alturas enquanto mergulham nos despenhadeiros e ainda sobrevivem demasiadamente. Houvesse meios e perpetuariam a espécie através dos próprios sonhos. Cavaleiros andantes de muitos contos dali distantes, então contornam os setores do anonimato em forma de visões.  

Nisto, ao menor empenho, reconhecem aspectos desencontrados daquilo que foram e nem face a tanto alimentam ganhos doutros gerações, doutros caminhos. Sabem ser, quiçá ao penhor das espécies em volta. Persistem sustentar o teto das certezas e suprem de luz as consciências em torno. Transitam, contudo, pelos setores das cidades cobertos de glórias parciais, séculos e padecimentos. Admitem imaginar em longas plantações de estio. Deixam relíquias daquilo em paisagens belíssimas. Refazem transes. Escutam das palavras seus préstimos em forma de brisa suave, ao tempo dos dias escondidos no íntimo, atores dos dramas e das comédias abandonadas nos quarteirões de cidades inteiras.

Nessas pelejas de acreditar no painel ora fixado nas montanhas do Infinito, são muitos, detalhes gravados no esteio da compreensão possibilitam tanger os rebanhos de cores e formas nas estradas da alma. Contêm sobremodo resquícios de pensamentos, lembranças firmadas durante o espetáculo de existir. Tramam descobrir modos outros de permanecem vagando na superfície do Planeta, todavia jamais despreza o desejo das viagens lá misteriosas, mágicas. Esses quais heróis da Eternidade pousam aqui próximo, decodificando tudo face aos sóis, durante o intervalo entre antes e depois. Retratos fieis da imensidão, habitam o paraíso do inevitável e subsistem aos vendavais da mesma sorte.